#RoadTripSouthBrazil: O Inverno está Aqui

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A brisa do começo do dia ainda estava à espreita quando colocamos as bagagens novamente no carro. Uma despedida e a promessa de que dali cinco dias estaríamos de volta a cidade foi feita, com ajuda da Rogéria Sheila, nome carinhosamente dado a GPS do carro, pegamos a estrada pela terceira vez.

Avistamos de longe as esculturas feita pelo tempo da Vila Velha, mais conhecido hoje como Parque Estadual de Ponta Grossa, passamos por Curitiba e, entre as famosas subidas e descidas que nos alerta para a chegada do litoral catarinense, pudemos ver as ondas batendo na areia ao longe da estrada onde estávamos.

Paramos para almoçar em um posto perto de Joinville e confirmar a rota que precisávamos fazer para chegar até Urubici.

Aproveitei a parada para publicar nossa foto da divisa entre Paraná e Santa Catarina, uma parada rápida apenas para o clique. Enquanto almoçava, uma notificação chegou no meu celular. Era meu primo comentando a foto:

“Se ficar pelo litoral, dê uma passada em Guarda do Embaú”

Abrimos o Google Maps na mesa, coordenamos as horas aproximadas, pesquisamos sobre o lugar e nos parecia que não teríamos problema em fazer um pequeno detour em nossa trilha para conhecer a praia. Desceríamos apenas 20 minutos a mais da estrada que teríamos que pegar para subir a serra catarinense. Não haveria problemas.

Ligamos para a pousada avisando que chegaríamos mais tarde do que o previsto, mas que estaríamos lá no cair da noite.

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O litoral catarinense é diferente em muito dos aspectos do meu habitual litoral de São Paulo, vemos pouquíssimo o mar, mas as montanhas que percorrem a belíssima pista tornam-se gigantes perto dos pequenos carros que andam a toda velocidade.

Passamos por Florianópolis e a entrada para a Serra Catarinense, seguimos direto e em um rápido relance de olho, percebi que a pista que pegaríamos na volta estava completamente parada e atolada de carros.

“Essa é a pista que vamos pegar na volta?” alguém pergunta.

“Deve ter outra pista, não é possível” – eu digo, torcendo para que fosse verdade –  “Deve ter outra entrada mais perto aqui para a serra”

“Assim esperamos. Se não, vamos chegar só amanhã cedo”.

Avistamos a placa de Guarda do Embaú e pegamos o retorno para cair em uma estradinha de cascalho que perpetua a estradinha até a parada na areia. O percurso não é longo, mas precisa ser feito com cautela.

Estacionamos o carro e a primeira pergunta para o cara que olharia – e para o qual pagamos R$10 de estacionamento – era se haveria por ali alguma entrada para a serra.

“Só a entrada em Florianópolis. Vocês vão ver placas da entrada para a estrada que precisam quando chegarem lá. Mas olha, se eu fosse vocês meninas, esperaria agora até a hora do rush acabar, lá pelas 19h, porque o transito é parado até lá”.

Olhamos uma para a outra. A praia deserta nessa época do ano, a brisa do mar não era amena e o vento batia forte em nossas caras. O horário? 16h.

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Resolvemos aproveitar o tempo na belíssima praia de Guarda do Embaú. Suas pequenas dunas são cortadas por um rio que percorre até a entrada do mar. Para ir até as ondas, precisávamos embarcar em um pequeno barco com um barqueiro que nos levou até a outra ponta e que cobrou R$3 pelo percurso. De Florianópolis até Urubici eram apenas duras horas de viagem. Chegaríamos à pousada confortavelmente no mais tardar às 22h.

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IMG_4224A praia estava deserta, deixando o lugar ainda mais paradisíaco. Uma pequena casinha amarela e vermelha que deveria pertencer aos bombeiros era vista no topo de uma das pequenas dunas, algumas gramas verdes se destacavam em alguns pedaços da areia branca e fina. As ondas batiam fortes e alguns surfistas completavam a paisagem mais adiante. De Guarda do Embaú é possível avistar as montanhas bem ao longe, até perder o mar de vista.

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O sol se pôs do lado oposto ao mar e, nos despedindo daquela paisagem litorânea, pegamos o carro em direção a serra catarinense.

Chegamos na pista e o peito ficou mais leve quando percebemos que aquele trânsito completamente parado de algumas horas antes não estava mais tão caótico. Os carros andavam – bem devagar – mas estavam andando.

Pelo que parecia, obras estavam sendo feitas na época naquele percurso até Florianópolis e juntando mais as pessoas que iam e vinham dos trabalhos ao redor da grande cidade, aquele pedaço em si estava um horror para turistas.

O que demoramos 20 minutos para ir, demoramos 1h para voltar, mas enfim estávamos subindo a Serra Catarinense.

Durante a noite.

Com pista simples.

Com curvas e mais curvas que davam para ver a traseira do carro.

Com um ônibus circular na nossa frente.

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IMG_4225Conforme íamos adentrando a serra, mais sinistro ficava. Rogéria Sheila alertava em seu som mais estridente em um carro quieto as palavras “Alerta” e “Perigo” a cada curva fechada, isso mais a estrada deserta, sem movimento algum, com caminhões que apareciam na traseira do carro do nada e ultrapassavam nas curvas mais fechadas fez com que eu, a motorista, brecasse a cada curva perigosa que via a frente, pois tinha a mais completa certeza que atrás daquilo que eu não conseguia ver não teria mais estrada a frente.

O que era para serem duas horas de acordo com o Google Maps, terminou em 4h30 de viagem. No final, tínhamos certeza que dormiríamos na estrada, não havia sinal da placa da cidade de Urubici e já estávamos cientes de que a cidade não existia e que fomos enganados pela internet.

Quando estávamos perdendo a esperança de chegar e já fazíamos planos para ir até Lages, demos de cara com uma bifurcação com os avisos “Urubici” mais a frente. Quase desci do carro para abraçar a placa, só não desci porque as temperaturas ali demarcavam no meu carro uma inconstância entre 10º, 8º e 2ºC.

A tensão dentro do carro e a quietude dada pelo medo só foi desfeita quando avistamos as luzinhas da cidade.

Sem ninguém na rua, atravessamos a única avenida da cidade e encontramos a pousada. Uma mocinha nos esperava com a luz acesa e contamos nossos percalços para ela enquanto tirávamos a bagagem do carro em meio aos tremores da brisa gélida da serra catarinense.

Era uma madrugada de terça-feira quando estávamos deitadas com pijamas fofinhos debaixo de cobertores já aquecidos pelos lençóis térmicos, cada qual em sua cama. Estava previsto para nevar na madrugada de quinta para sexta-feira. Sem problemas, iriamos embora apenas na manhã de sexta-feira.

Acordei cedinho e chamei as meninas para nossa primeira aventura. Com alguns resmungos e cabelos bagunçados as fiz levantarem rapidinho para o longo dia que nos esperava, mas foi só quando saímos da pousada e avistamos pela claridade do sol e a fumaça que saia de nossa boca por conta da temperatura baixa que vimos, pela primeira vez, as montanhas ao nosso redor e a beleza que a Serra Catarinense nos agraciava.

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