#RoadTripSouthBrazil O Que se Esconde Por Trás

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O quarto onde ficamos na Pousada Arcanjo Rafael era confortável. Com duas camas de solteiro e uma bicama, nós três conseguimos com tranquilidade ficar no ambiente junto de mais todas as tralhas na qual nós carregávamos com a gente – inclusive um aquecedor móvel antigo que data da época da avó de P. e que nos ajudou a não passar frio no pequeno banheiro do quarto.

O quarto não dispunha de aquecedor, mas os lençóis térmicos e os cobertores que a pousada ofereceu estavam sendo o suficiente. Acordamos cedo, pegamos nossos casacos mais grossos, atravessamos um pequeno jardim, pois nosso quarto ficava na área externa da pousada e no corredor conhecemos as calopsitas, bichos de estimação da pousada. O marido da filha da dona da pousada estava os alimentando quando passamos por lá e gentilmente o homem nos deixou passar a mão na calopsita sociável da turma, pois tinha uma calopsita que aparentava ter raiva do mundo e tudo que há nele.

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Enquanto apreciávamos os bichinhos, o homem nos contou toda a história e o drama familiar daquele triangulo amoroso que as calopsitas viviam, me lembro de ser uma história digna.

Fomos tomar café da manhã, incluso no pacote e preciso comentar que até hoje sinto falta das manhãs e das comidas caseiras daquela pousada. Conhecemos a senhora e o senhor donos da pousada Arcanjo Rafael, que vivem na frente do lugar. Até hoje não me esqueço dela nos insistindo que deveríamos comer a rosquinha com a nata – sem a nata era uma fraude!

Com quatro tipos de bolo, pães, rosquinhas, doce de leite, café, suco, a mesa era recheada de delícias. Sustentadas até a hora do almoço, partimos para nosso primeiro passeio.

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Antes, paramos no centro de informações da cidade para pegar os panfletos e os mapas de turismo. Perguntamos como chegávamos à Gruta da Nossa Senhora Lourdes e sobre o Morro da Igreja. O homem que nos atendeu na pequena casa de madeira nos avisou que sobre o Morro da Igreja era melhor conhecer quando não houvesse chances de chuva e que hoje seria um bom dia, já que a previsão para os outros era de tempo nublado.

Das três saídas que a cidade oferece, todas têm placas indicando os turismos. A gruta fica bem em uma das saídas de Urubici e é fácil de chegar. Deixamos o carro no estacionamento e caminhamos uns cinco minutos até chegar à cachoeira.

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Por trás, imagens e santos estão dispostos em toda gruta. A cachoeira tem uma queda alta, mas a água que cai é fina e calma. Um lugar tranquilo e que emana paz. Os únicos sons são dos animais escondidos, do vento batendo nas folhas e da água caindo no pequeno poço. A temperatura havia aumentado um pouco, mas a umidade do lugar e das árvores em volta deixava-nos com uma sensação gelada.

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A entrada para a gruta é grátis e um local que todos podem conhecer, devido o seu acesso fácil. De lá, seguimos para a cachoeira do véu da noiva, pois vimos no mapa que a estrada dava continuidade para lá.

Também de fácil acesso, o lugar oferece chalés para estadia e há uma pequena loja com lanchonete. Para entrar é preciso pagar R$2 por pessoa. Dentre todos os passeios, o véu da noiva foi único que tivemos que desembolsar grana e o mais sem graça. A cascata é linda, mas tem toda uma estrutura feita pelo ser humano que acaba perdendo um pouco da graça do lugar.

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De lá voltamos para Urubici, almoçamos na churrascaria, a única com outdoor pela cidade fazendo propaganda. Durante a tarde pegamos a pista para chegar ao Morro da Igreja. Só a viagem em si já é algo de tirar o fôlego, mas é quando você chega ao pico do morro que você entende a grandeza do lugar.

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O Morro da Igreja é o lugar mais alto do sul do país, com 1.800 metros acima do mar, no topo, há uma base da aeronáutica e o recorde de temperatura deles é de uma sensação térmica de menos 40ºC.

Para quem acha impossível isso no Brasil, indico um passeio por lá, não precisa nem sair do carro. Só abra a janela e você entenderá porque neve é possível naquele lugar. Paramos o carro bem no topo, de frente para a base da aeronáutica. Alguns carros estavam parados, o termômetro no meu carro estava medido 3ºC, para ter uma comparação, em Urubici, 20 minutos dali, estava marcando 16ºC.

Com os vidros do carro ainda fechados, estávamos olhando a imensidão da paisagem. O céu estava com algumas nuvens, mas em nada atrapalhou a surpreendente vista. Até víamos as plantas e as gramas se mexerem, mas não prestamos tanta atenção. Foi então, quando tentei abrir a porta do carro, que quase fui assassinada.

Pelo vento.

A porta do meu carro simplesmente não queria abrir. Com dificuldade, sai e a sensação térmica bateu no meu rosto descoberto. Luvas e gorros foram colocados às pressas em meio ao vento forte que batia – mesmo – na gente. O casaco de P. quase foi levado morro abaixo e dançando os passos do vento, trôpega, eu ia tentando tirar fotos do lugar.

Não posso negar que deu um pouco de medo, mas no final, valeu a pena. A tão sonhada foto em cima da pedra com a vista para o horizonte, não foi tirada, porque me recusei a estar em um lugar mais alto que a grama marrom do morro, caso o vento tentasse me sacanear e eu descesse precipício abaixo.

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Do Morro da Igreja é possível vem a pedra furada, que leva o nome por causa da ação do tempo na qual aquele mesmo vento que fustigava-nos ali agora, conseguiu fazer um buraco no meio da grande pedra.

Eu disse que ele era um vento do mal.

E nossas fotos saíam assim, como essa abaixo.

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Mas, era naquele lugar, a 1.800 metros acima do mar, que a probabilidade de neve era maior do que em toda Serra Catarinense. Descemos o morro de volta para Urubici, passamos a cidade e seguimos até o último passeio do dia. A Serra do Corvo Branco.

As nuvens já estavam escuras e era ainda no meio da tarde. Por conta dos altos morros da serra, ali escurecia mais cedo do que o normal. Pegamos uma estradinha boa até chegar na parte de terra. Lá, fomos com cuidado e devagar. A estrada de terra é pouca e logo começa uma estrada melhor até a subida da serra.

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A Serra do Corvo Branco é famosa pelo corte que se deu entre um de seus morros. De um lado água escorre por entre suas paredes, do outro é totalmente seco. No meio, uma pista com uma descida íngreme. A Serra é uma das estradas que ligam Urubici até Urupema, mas é bem perigosa.

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Deixamos o carro no topo e descemos a pista. Não aconselhamos pessoas sedentárias a fazer o mesmo, o carro pode descer até a primeira curva, onde também há local de parada, pois quando fomos subir de novo na volta, achei que iria falecer no caminho.

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Os destaques da Serra do Corvo Branco são as paredes gigantescas dos morros, incríveis de se ver. Percebemos que ainda dava tempo de ver mais alguma coisa e decidimos conhecer uma cachoeira dos arredores, que constava no mapa.

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Os mapas não mostram exatamente como chegar aos lugares e as pessoas não dão uma sinalização tão certa assim, como em qualquer lugar do Brasil. Passamos por uma estrada de terra que beirava um rio e entramos em uma pequena vila.

De acordo com o senhor que estava estado na varanda de uma das casas, era só passar a porteira, pois a cachoeira ficava em terras privadas, ir até onde conseguíssemos com o carro e caminhar a pé pela estrada que continuava.

Passamos a porteira, pedras no caminho passavam por baixo do meu pequeno Ônix, arranhando a lataria. Decidimos parar o carro, entendendo o que significava a frase “ir até onde o carro conseguisse chegar”. Mas, logo à frente, percebemos que não havia estrada alguma, só um campo com uma grama muito verde. Escutávamos as quedas d’águas que estavam ao nosso lado, mais abaixo, com algumas árvores que margeavam o pequeno rio, que deveria desembocar naquele o qual fomos margeando pela estrada.

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Mas, se houvesse uma cachoeira com uma queda tão grande quanto a que esperávamos, deveríamos ouvir um barulho absurdo. Passamos algum tempo entre aguçar os ouvidos e caçar a pequena estrada. Decidimos desistir e ficar ali apenas aproveitando a paisagem. O lugar era lindo. Parecia um bosque perdido, um campo com uma grama tão verde ao redor de montanhas altas. Senti inveja do dono do lugar e guardei para mim que se um dia eu fosse capaz de comprar algum terreno, seria em um lugar tão calmo e belo como aquele.

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Aprendi no meu primeiro dia passeando por entre os morros da serra catarinense que, por ali, o que mais se tinha era paz interior.

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Já no final do dia, aos xingamentos da motorista por conta da volta turbulenta entre as pedras que voltavam a bater no carro, chegamos a Urubici. Na pousada, entramos no quarto e revezamos o banheiro para cada uma tomar um longo banho quente.

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Saímos e demos uma volta pela cidade. Encontramos um lugar bem bacana e aconchegante. Lá, enquanto esperávamos nossas sopas do dia, fazíamos planos para o dia seguinte.

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Abrimos o mapa na mesa e um vinho para acompanhar. Depois, capotamos cada uma em sua cama, com cobertores quentinhos.

O próximo dia ia ser ainda mais longo, desbravando mais ainda a bela Serra Catarinense.

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